Qual o tamanho do seu todo?

Smart Cities: Como os problemas se transformam em oportunidades?

Por MARCIO SCHIAVO, Diretor-presidente da COMUNICARTE

 


Com frequência temos sido indagados sobre "qual é o tamanho do mercado dos projetos e ações para as SMART CITIES no Brasil?” Seria fácil responder se bastasse dizer que somos a 9a. maior economia mundial (mesmo tendo diminuído cerca de 25% em comparação a 2014, quando chegamos a ser a 6a. maior economia), temos 206 milhões de habitantes em um território de 8,5 milhões de KM2, (o 5o.  maior país em extensão territorial) e, principalmente, por que temos 5570 municípios, sendo que 85% de nossa população vive nas cidades. Mas a resposta não é tão simples assim: Quantas das cidades brasileiras podem, nos próximos 10 anos, se constituírem em "cidades inteligentes".

Se considerarmos que em 2015 somente 42 municípios brasileiros conseguiram pagar a folha de funcionários com recurso próprios (fonte: Índice FIRJAN de Gestão Fiscal), ou que 42,4% da população urbana não tem acesso à rede de coleta de esgoto, mas também que em 2033 o Plano Nacional de Saneamento Básico prevê que 93% das pessoas que viverão nas cidades tem que ter acesso aos serviços de saneamento básico, é possível concluir que muito há para se fazer, e quem vai fazer são as empresas. Portanto, há negócios inteligentes disponíveis no mercado.

Em contrapartida aos muitos problemas que o Brasil tem que superar, proporcionalmente há uma gama de soluções a serem adotadas. E as tecnologias existentes associadas aos recursos diretos e financiamentos, apontam para modelos de intervenções que obrigatoriamente passarão pelas parcerias público-privadas.

Por exemplo, apenas o mercado de TI no Brasil está estimado em US$ 60 bilhões, o que representa 46% do mercado latino-americano. Atualmente ocupamos o 8o. lugar no ranking mundial de softwares, com uma movimentação de US$25,2 bilhões, o que equivale a 2,4% do mercado global. Há espaço para crescer.

A eletrificação ferroviária, a exploração de novas fontes de energia que se somarão ao petróleo, as novas soluções de iluminação pública e a mobilidade urbana, também estão na pauta das cidades inteligentes.

O capitalismo consciente, a logística reversa, as “think tanks”, a economia criativa, as inovações tecnológicas, respeitando os princípios da sustentabilidade, que se apoiam nas razões econômicas, nos desafios de vencer as desigualdades sociais, nos compromissos com o meio ambiente e no respeito das diferentes culturas e tradições, podem – e devem – se unir para a construção das smart cities.

Tanto os pontos positivos, e apenas alguns exemplos foram aqui citados, quanto pelos pelas questões negativas, que por serem tantas, não há sequer possibilidades de enumerá-las, o Brasil é um campo praticamente inesgotável para o crescimento e a consolidação das diretrizes e práticas das smart cities. 

Para quem quiser olhar e só ver impedimentos e dificuldades, terá razão de suficientes para não investir tempo e dinheiro no País. Esses perderão.

Se por outro lado, quem encara a realidade de frente, sem temê-la e sem diminuí-la, mas é capaz de identificar oportunidades na pobreza e nas riquezas do Brasil, sem nenhuma dúvida, o mercado para as "smart cities", seus produtos e serviços é dos mais promissores. Somos um mercado onde problemas e soluções se somam, tendo como resultado a médio e longo prazo, o valor equivalente a pelo menos 30% do PIB do Pais. Ganharão os que assim pensarem. 

E tem mais: os problemas que enfrentamos, e não negamos que são muitos, são bem menores e administráveis do que aqueles encontrados em sociedades mais avançadas e desenvolvidas. Por isso muitos deles vem de lá para cá, sendo poucos os que vão daqui para lá. Nas economias mais avançadas, é certo, tudo é mais claro e definido, inclusive as dificuldades impostas pelo mercado, quase todo ocupado.

Para fazer bons negócios é necessário estar onde os negócios ainda vão ocorrer e não onde tudo está em seu devido lugar, e portanto, não há espaço para quem ainda não entrou.


E o tamanho desse mercado, agora respondemos, é igual ao que seu negócio e sua empresa terão a capacidade de ocupar. Não esperem que alguém diga quantos bilhões estarão lhe aguardando. Ao contrário sejam protagonistas nesse cenário e acrescentem seus recurso e competências ao mercado que querem atingir. 

Disponível em: http://smartcitybusiness.com.br/home/revistaoutubro2016.pdf



                                                                                                                  ***


Caso tenha sugestões ou comentários sobre esta matéria, por gentileza, envie para comunicarte@comunicarte.com.br e aguarde nosso retorno. Grata, Equipe Comunicarte :)

Postagens mais visitadas deste blog

A produção cultural e a responsabilidade social corporativa

3E Sistema de Informação Gerencial Socioambiental

NEM BENEMERÊNCIA NEM LIBERALISMO: O SOCIAL EM UM NOVO ENFOQUE

A importância do merchandising social

A Petrobras aprendendo com o sapo

Avaliação de Projetos Sociais

Quem é o adolescente que se quer prender?

Transexualidade em foco em A Força do Querer