Dia mundial sem carro

Tudo começou na Europa, nos últimos anos do Século XX. Em algumas das grandes cidades européias, as pessoas tomaram consciência dos malefícios causados pelo uso excessivo de automóveis: poluição do ar, do solo e das águas, engarrafamentos, atropelamentos, acidentes de trânsito... Ao perceberem que o uso massivo dos automóveis compromete o futuro das cidades, centenas de pessoas começaram a usar meios de transporte mais sustentáveis – com destaque para as bicicletas.
O resultado foi a criação de um movimento, que se espalha devagar pelo planeta, que se expressa como um convite ao uso de veículos menos poluentes, sobretudo nos grandes centros urbanos. Assim, foi instituído o dia 22 de setembro como Dia Mundial sem Carro. Atualmente, milhões de pessoas pelo mundo afora celebram a data. O esforço de mobilização conduz, obrigatoriamente, a um exercício de reflexão sobre a dependência e o uso tantas vezes completamente irracional dos automóveis em nossa sociedade. Basta mencionar, aqui, as pessoas que não conseguem ir até a padaria da esquina sem usar o seu próprio carro.
A atitude carless gerou diversos tipos de manifestações em prol dos transportes sustentáveis. A Bicicletada, por exemplo, é um movimento internacional que prega o uso da bicicleta como principal meio de transporte das pessoas. A primeira Bicicletada foi realizada em 1992, na cidade californiana de San Francisco, nos EUA. No primeiro evento, compareceram 48 ciclistas. Em meados de 93, o evento já ultrapassava a marca dos 500 ciclistas por encontro, adquirindo uma grande visibilidade local e servindo de exemplo para o resto do mundo, recebendo o nome de “massa crítica”.
Apesar de ignorada pela maioria das autoridades locais, a “massa crítica” passou a ser imitada em outras cidades dos EUA e em alguns países europeus. Hoje em dia, é realizada em centenas de localidades, nos quatro cantos do mundo.
Vale a pena contar a história desse apelido, “massa crítica”. Ele surgiu por causa de um documentário sobre bicicletas, datado de 1992 e dirigido por Ted White: Return of Scorcher (A volta do calorão). O filme documenta uma cena típica dos centros urbanos chineses: ciclistas se acumulando às margens de uma grande avenida, sendo impedidos de atravessá-la pela falta de faróis de trânsito. Com o tempo, mais e mais ciclistas vão se reunindo até atingir grande número, compondo assim uma verdadeira massa crítica. Concentrados, eles ganham coragem suficiente para forçar sua entrada na pista, interrompendo finalmente o fluxo dos carros. Dessa forma eles conquistaram seu objetivo: atravessar a avenida e serem respeitados, e não apenas desprezados pelos motoristas de automóveis.
O que pouca gente sabe é que Cidade do Recife é a grande pioneira em matéria de bicicletadas. Os passeios de bicicleta começaram na capital pernambucana em setembro de 1987, sem nome fixo, ora com o nome de Grupo do Pedal, ora Pedal Entre Amigos e finalmente Pedal Clube de Pernambuco, nome escolhido em meados de 1988. No final de 2002, com a maior frequência de passeios no Recife, o número de ciclistas voltou a aumentar e hoje, após o advento da criação de um grupo na internet, existem cerca de 180 associados, dos quais 15 são coordenadores voluntários.
Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a Bicicletada do dia 22 de setembro já reúne pelo menos 200 ciclistas para pregar, com atitude, a filosofia do transporte sustentável. Apesar do grande apelo que os automóveis possuem junto aos seres humanos, o movimento do Dia Mundial sem Carro cresce devagar e sempre. Em Montreal, um artista gráfico criou uma campanha que mostra a mudança de atitude do cidadão, que deixa seu carro individual para andar de bicicleta ou pegar um ônibus. Em Nancy, na França, a ilustração da campanha põe um carro de rodas para o ar, rodas que são de uma bicicleta com piloto, enquanto o carro está sem piloto. A campanha mais ameaçadora é a russa, que transforma um carro em um monstro que, literalmente, vai devorando o planeta aos bocados.

Diversas atitudes podem ser tomadas por cada cidadão, para que cada indivíduo faça a sua parte nesse desafio que é conquistar mudanças de hábitos das pessoas. Algumas simples mudanças, como as que relacionamos abaixo, podem fazer a diferença:
- Planeje seus deslocamentos;
- Percorra distâncias curtas a pé ou de bicicleta;
- Utilize transportes coletivos pelo menos um dia por semana para ir ao trabalho;
- Prefira meios de transportes limpos aos poluentes;
- Quando utilizar o carro, dirija com economia;
- Prefira automóveis movidos a álcool (combustível menos poluente do que a gasolina)

Podemos também cobrar, das autoridades públicas de nossas cidades, algumas medidas em prol do movimento. Relacionamos, abaixo, algumas delas:
- Renovação e expansão da frota e capilaridade dos sistemas de transportes coletivos (como ônibus, metrô e trem);
- Criação e expansão de ciclovias nas cidades;
- Aluguel de bicicletas públicas;
- Instalação de bicicletários (estacionamentos públicos de bicicletas) em pontos estratégicos;
- Rodízio de automóveis, para diminuir a quantidade deles nas ruas;
No mais, desejamos um feliz dia sem carro para todos os nossos leitores.

MÁRCIO SCHIAVO – Diretor-Presidente da COMUNICARTE – Marketing Cultural e Social Ltda. e Vice-Presidente de Responsabilidade Social da ADVB-PE.
MÁRIO MARGUTTI – Consultor e Assessor da COMUNICARTE – Marketing Cultural e Social Ltda.

Postagens mais visitadas deste blog

A produção cultural e a responsabilidade social corporativa

3E Sistema de Informação Gerencial Socioambiental

NEM BENEMERÊNCIA NEM LIBERALISMO: O SOCIAL EM UM NOVO ENFOQUE

A importância do merchandising social

Gestão, Monitoramento e Avaliação de Projetos Sociais

A Petrobras aprendendo com o sapo

Educação, Entretenimento e Informação: é Fantástico!

TECNOLOGIA SOCIAL: O QUE É?