Rock in Rio: um evento sustentável

Um dos maiores eventos musicais do mundo – o Rock in Rio – teve problemas de segurança, de organização e de transporte, mas não pecou no quesito sustentabilidade. A edição 2011 do festival vai receber mais de 150 artistas nacionais e internacionais, que se apresentarão para mais de 700 mil pessoas. O porte grandioso do evento levou os organizadores, desde o começo, a pensar nas questões de sustentabilidade. Foi assim que nasceu o Plano de Sustentabilidade Rock in Rio 2011,
que prevê uma série de ações para reduzir os impactos ambientais do megafestival de música e, ainda, trazer benefícios sociais para a comunidade do Rio de Janeiro.
Essas iniciativas renderam ao evento o Selo 100R de certificação sustentável, que é concedido pela instituição portuguesa Sociedade Ponto Verde.

Destinação correta dos resíduos

Um total de 520 lixeiras para resíduos recicláveis e não-recicláveis foram espalhadas pela Cidade do Rock, para serem continuamente esvaziadas pela Comlurb – Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro. Os donos e funcionários das lojas, bares e restaurantes do festival também foram orientados para separar o lixo em seus estabelecimentos, de modo a facilitar o trabalho dos recicladores.
Os resíduos recicláveis foram encaminhados para a Usina de Jacarepaguá e triados pelos profissionais da Cooperativa Barracoop, que retiveram toda a renda obtida com a venda desses materiais. Por sua vez, o lixo orgânico foi destinado para compostagem na Usina de Transferência e Reciclagem do Caju, com o objetivo de produzir adubo orgânico. Esse produto será encaminhado para o Programa Rio Capital Verde, da prefeitura, contribuindo para o reflorestamento da cidade.
Os resíduos cujo reaproveitamento é impossível foram transferidos para aterros sanitários do município. No fim do festival, as 520 lixeiras utilizadas na Cidade do Rock serão doadas à Comlurb para serem instaladas nas Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro.
A se lamentar, apenas, a falta de educação do público que compareceu aos shows, ignorou as lixeiras e deixou um monte de detritos acumulados no chão, na manhã seguinte a cada espetáculo musical. Um indicativo de que os brasileiros ainda são muito mal educados no quesito do descarte de dejetos e precisam de um trabalho sério de informação, sensibilização e motivação para contribuir para uma vida mais limpa.

Redução e compensação das emissões de CO2

Os responsáveis pela organização do Rock in Rio 2011 distribuíram a todos os patrocinadores e fornecedores do festival um manual de boas práticas, com dicas sobre como reduzir as emissões de CO2 ao longo da realização do evento.
A liberação de gases que não puder ser evitada será contabilizada e neutralizada, no próprio Estado do Rio de Janeiro, por meio de co-financiamento de projetos de sequestro de carbono e de incentivo a estudos que visam desenvolver tecnologias de redução de emissões de gases que possam causar o chamado efeito estufa.

Incentivo ao transporte público

Para evitar os engarrafamentos que aconteceram em edições anteriores do Rock in Rio, os fãs foram incentivados a usar transportes públicos para ir ao evento. A frota das linhas regulares de ônibus que passam pelas proximidades da Cidade do Rock foi ampliada e foram criados corredores exclusivos para os coletivos. Nos primeiros dias da festa musical, ainda ocorreram problemas de transporte, mas no terceiro dia os organizadores fizeram os ajustes necessários. As avenidas de acesso à Cidade do Rock foram bloqueadas para carros e táxis e foi proibido o estacionamento nos arredores. Os taxistas, é claro, lamentaram a perda de receita, mas os problemas de trânsito foram evitados.

Acessibilidade

Para acolher condignamente os cadeirantes, foram instaladas rampas de acesso e banheiros especiais por toda a Cidade do Rock. Até os dois principais palcos do festival ganharam uma área especial, reservada exclusivamente para este público especial, que ainda ganhou o direito de levar um acompanhante para o local.

Geração de energia

Entre as atrações "verdes" do festival, podemos mencionar a EcoPista, uma área de dança que produz energia limpa a partir dos passos feitos pelo público. Outra oferta interessante foram as EcoBikes, que transformaram a energia mecânica das pedaladas em eletricidade para movimentar outra atração da Cidade do Rock: a roda gigante.

A dimensão social

O Rock in Rio 2011 contou, ainda, com uma apresentação da Sinfônica Heliópolis, do Instituto Baccarelli, que congrega crianças e jovens de comunidades carentes. A orquestra se apresentou no sábado, dia 24 de setembro, juntamente com o pop star Mike Patton, do grupo Faith No More.
Outro projeto social do Rock in Rio foi a Campanha Nacional de Doação de Instrumentos Musicais, que funcionou da seguinte forma: até o dia 2 de outubro, que marca o fim da festa, qualquer cidadão pôde entregar, nas mais de 1.000 agências dos Correios que atuaram como parceiras da iniciativa, instrumentos musicais novos ou usados, que serão encaminhados para ONGs de todo o Brasil que utilizam a música como ferramenta de educação, formação musical e inclusão social.

MÁRCIO SCHIAVO – Diretor-Presidente da COMUNICARTE – Marketing Cultural e Social Ltda. e Vice-Presidente de Responsabilidade Social da ADVB-PE.
MÁRIO MARGUTTI – Consultor e Assessor da COMUNICARTE – Marketing Cultural e Social Ltda.

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